Contas de 2021 e 2022: relatório técnico revela avanço histórico na gestão municipal

Análise de mais de 4500 páginas mostra como a Prefeita Paula reorganizou finanças, modernizou processos e reverteu um cenário crítico herdado no início do mandato.


Uma análise que reconstrói a verdade administrativa

Como relator das Contas de 2021 e 2022, apresentei à Comissão de Finanças e Orçamento um relatório que ultrapassa 100 páginas, somando análise técnica, reconstrução do contexto, exame individual dos itens e voto fundamentado. A leitura em sessão durou quase duas horas, tamanho o nível de detalhe exigido para compreender a realidade enfrentada pela Administração.

A missão não era simplesmente “conferir números”, mas reconstruir o quadro real do Município: de onde partimos, o que estava desorganizado, o que foi reorganizado e qual foi o avanço concreto em 2021 e 2022.

2021: um primeiro ano com tempestade perfeita

Ao assumir, a Prefeita Paula encontrou uma estrutura profundamente fragilizada, conforme comprova o próprio relatório:

  • Insuficiência financeira de R$ 48,31 milhões herdada de 2020, reduzida para R$ 10,22 milhões em 2021;

  • Restos a Pagar elevados e parte sem cobertura, cenário crítico para início de gestão;

  • Dívida previdenciária acumulada de mais de R$ 59 milhões;

  • Ausência total de transição, sem entrega de sistemas, arquivos ou rotinas de trabalho;

  • Controle interno defasado, UCCI fragilizada e legislação ultrapassada;

  • Carência grave de servidores técnicos, especialmente em licitações, contabilidade, tesouraria e pessoal;

  • Processos administrativos manuais, como conciliações bancárias, compras, patrimônio e licitações;

  • Pandemia em seu ápice, com afastamentos e risco sanitário extremo.

Mesmo assim, o Tribunal de Contas reconheceu a evolução fiscal do primeiro ano, destacando a redução drástica da insuficiência financeira e dos Restos a Pagar.

2022: quando o esforço dá resultado

No segundo ano da atual gestão, o panorama muda completamente.

O TCE-RS, em seu Parecer Prévio nº 23.026/2024, registrou avanços expressivos:

  • Redução de 32,91% na insuficiência financeira;

  • Queda de 25,96% nos Restos a Pagar;

  • Saneamento progressivo das inconsistências contábeis;

  • Regularização de áreas sensíveis, como transparência, meio ambiente e saneamento;

  • Ausência de qualquer dano ao erário;

  • Afastamento de multa, antes sugerida pelo Ministério Público de Contas.

Além disso, vários apontamentos que apareciam em 2021 não reaparecem em 2022, como: Transparência (LAI), Ouvidoria, Meio Ambiente, PMGIRS, Educação, Balanço Patrimonial, Valores Restituíveis e política curricular.

Um trabalho técnico, independente e rigoroso

Meu relatório reconstruiu cada apontamento com base em três elementos essenciais:

  1. O que o TCE e o MPC apontaram

  2. Quais justificativas a Administração apresentou

  3. Qual é o impacto real e material de cada situação

Ao longo da análise, fica evidente que:

  • A maioria das falhas eram formais, não materiais.

  • Muitas tinham origem estrutural e histórica, e não no atual governo.

  • Quase todas já estavam em processo de correção durante o próprio exercício.

A leitura técnica permite compreender que a gestão de Paula, ao contrário do que transpareceria em um relatório cru, corrigiu problemas, reorganizou áreas inteiras e estabeleceu bases sólidas para os anos seguintes.

Síntese: contas aprovadas e avanço comprovado

As Contas de 2021 e 2022 foram aprovadas pela Comissão por unanimidade, com ressalvas convertidas em recomendações — prática adequada quando há falhas formais, mas sem dano ao erário.

A recuperação fiscal e a reorganização administrativa são fatos documentados nos próprios relatórios do TCE e nas evidências analisadas.


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