No amanhecer dos 200 anos de Cruz Alta, a cidade ainda contrasta com as sombras de uma estrutura municipal desigual, a qual o centro urbano é dotado de todas as facilidades e benefícios do desenvolvimento enquanto as comunidades mais afastadas sofrem com a falta de pavimentação e atenção da administração pública municipal.
Desde 1994 o país vem avançando em uma agenda para a cidadania, com diversas reformas e programas que garantam o desenvolvimento social e econômico do país. Inúmeras agendas afirmativas foram implementadas visando reduzir as desigualdades e reparar questões históricas estruturais. Contudo, a cidadania plena e a verdadeira democracia só terão espaço quando questões históricas e latentes, como saneamento básico, pavimentação, saúde e educação forem realmente universais.
Nestes 200 anos de história, uma das questões sociais mais urgente em ser resolvida está justamente localizada aonde tudo iniciou, na comunidade do Distrito Encruzilhada (Benjamin Nott), marco inicial de fundação de Cruz Alta, onde localiza-se a “Cruz” de fundação do município e ponto dos tropeiros. A cruz de madeira, original, que já não existe mais, foi erguida pelos jesuítas em 1698, como marco da presença espanhola na região.
Distante 12 km do centro da cidade e esquecida por diferentes administrações, a comunidade local sofre até hoje com a falta de pavimentação, redes de drenagens, dificuldades para acessar órgão de saúde de média e alta complexidade e com a insegurança, inerente das localidades semirrurais.
A comunidade de Benjamin Nott, com aproximadamente 1100 habitantes, convive com o pó, barro e as dificuldades inerentes à falta de pavimentação. Sua valente comunidade que, em sua maioria, sobrevive da agricultura, madeireiras, indústria de insumos agrícolas e no comércio e serviços da cidade, sonha com novas oportunidades para iluminar o pesado dia-a-dia.
O projeto “Rota de Oportunidades” pretende fazer a ligação entre o trevo da RS 342, continuidade da avenida Luciano Furian, até o Aeroporto Érico Veríssimo, ligando a comunidade de Benjamin Nott ao centro da cidade através de 7.2 km de pavimentação tipo paver, com passeio, ciclovia, iluminação pública e redes de drenagens e mista.
Oportunidade: circunstância oportuna, favorável para a realização de algo.
Uma nova administração traz consigo novas esperanças, relacionamentos e oportunidades. A pandemia do novo corona vírus vêm assolando nossa população e exigindo foco e determinação dos nossos governantes, contudo, ao final, oportunidades surgirão. O projeto “Rota de Oportunidades” quer deixar pavimentado os caminhos para a retomada do convívio social e para o desenvolvimento econômico com as inúmeras possibilidades e oportunidades que se abrem através da melhoria dos acessos a Benjamin Nott, nos diferentes campos e esferas sociais.
Oportunidades para a saúde:
No campo da saúde, a oportunidade de melhorar a qualidade de vida e a saúde da comunidade local. Atualmente a região de Benjamin Nott possui uma estrutura básica de saúde, composta por uma Estratégia de Saúde da Família – ESF, que atende 5 microregiões do interior do município, com uma grande área de cobertura e famílias muito espalhadas. A população atendida é de 369 famílias e aproximadamente 1053 pessoas. O ESF realiza (segundo dados do SIMUS) aproximadamente 100 consultas médicas mensais (com atendimento médico apenas duas tardes na semana); 150 atendimentos de enfermagem e 400 procedimentos de enfermagem (curativos, verificações de pressão, administração de medicação entre outros).
Uma das grandes dificuldades enfrentadas para melhorar o atendimento de saúde local e, principalmente, para ambulâncias e remoções de emergência, passa pela falta de acesso pavimentado. O projeto irá oportunizar a melhoria da saúde, através do acesso e facilidade para o deslocamento de profissionais da saúde para o atendimento local.
Oportunidades para o turismo:
O Governo do Estado do Rio Grande do Sul vem investindo e incentivando o turismo no estado através da criação e fomento de novas rotas turísticas, para explorar e potencializar as atrações de diferentes regiões, como a “Rota das Terras Encantadas” (www.rotadasterrasencantadas.com.br), que recentemente teve a inclusão do município de Cruz Alta e a criação de um roteiro turístico pela maior operadora de turismo do Brasil, a CVC.
O turismo regional e estadual vem se configurando como uma grande oportunidade para o desenvolvimento do Estado. Segundo dados do Grupo de Pesquisa GTES, sobre o impacto da Covid-19 no comportamento do turista brasileiro, foi identificado que no pós pandemia:
51% dos turistas pretende consumir a gastronomia local do seu destino;
48% pretende se relacionar com as pessoas locais;
20% dos entrevistados pretende conhecer o Rio Grande do Sul.
Dentre as diversas tendências apontadas por esse e outros estudos realizados, o turismo cultural é uma das tendências mais fortes, assim como o contato com a natureza, ar livre e viagens curtas, que seja possível fazer de carro. Dados do Booking, o maior site de turismo do mundo, em pesquisa com 20 mil viajantes, indicou que:
59% pretendem ter contato com a natureza;
95% tem apreço por fazer trilhas;
50% pretende estar em lugares com ar puro.
O município de Cruz Alta possui uma vocação natural para o turismo cultural, como a Romaria de Fátima, que recebe mais de 100 mil pessoas, a Coxilha Nativista, único festival tradicionalista que está há 41 anos de forma ininterrupta levando os nossos valores e cultura, o Museu Érico Veríssimo, localizado na casa ao qual nasceu o escritor entre tantas outras manifestações artísticas e culturais ligadas ao teatro, dança e ao tradicionalismo.
Embora relegada, a região de Benjamin Nott possui um enorme potencial turístico, imobiliário, econômico e social. Marco inicial do município, pouso dos tropeiros e de inúmeras passagens importantes da história do Rio Grande do Sul vê as esperanças renascer com a iniciativa privada local adquirindo a área e construindo o novo Aeroporto Érico Veríssimo; com as programações culturais promovidas para a valorização dos tropeiros; com a ideia de um museu local para abrigar a biblioteca e fototeca da Fundação Pedro Raymundo e a crescente procura pelo local como ponto de trilha para dezenas de ciclistas.
Adequar essa vocação natural do município para o turismo cultural às tendências e oportunidades para o setor de turismo irá valorizar e impulsionar toda uma cadeia de desenvolvimento, tanto econômico quanto social, aproveitando as potencialidades naturais do local, com contato direto com a natureza, ar puro, trilhas e cultura.
Oportunidade para o desenvolvimento econômico:
O projeto de ligação por pavimentação com paver, além de potencializar o turismo, irá alavancar a economia municipal, pois faz a ligação direta com o Aeroporto Érico Veríssimo. O aeroporto, resultado da união de um grupo de empresários locais, que compraram a área e estão fazendo todas as benfeitorias, possui três etapas de planejamento, sendo a primeira já concluída e a segunda em execução.
O terminal Érico Veríssimo possui uma pista de 1.200 metros de comprimento e 45 metros de largura. Atualmente a pista é de grama e está em curso o projeto para balizamento noturno. As próximas etapas do aeroporto dão conta da ampliação da cabeceira norte para 1.500 metros e a mudança para piso asfáltico, dessa forma, o aeroporto suportaria jatos médios, impulsionando a economia e os negócios locais e regionais.
Além do aeroporto, na localidade encontra-se uma das maiores empresas do município, a Simbiose, maior produtora de insumos microbiológicos do país, a Engebase, fábrica de pavilhões e pré-moldados, fábrica de farelos, área de equoterapia e outras empresas que estão realizando estudos de viabilidade para a instalação no local, na perspectiva das oportunidades que virão.
Outro aspecto fundamental ligado ao advento da pavimentação daquela região é o impulsionamento, modificação e diversificação da matriz econômica do município. Segundo estudos da Unicruz, para o Caderno de Estatísticas 2019, do COREDE Alto Jacuí, Cruz Alta possui:
População: 61.563
PIB per capita: R$ 52.062,77
Número de Indústrias: 1.035
Volume de Operações de Crédito realizadas: R$ 781.190.779,00
Área colhida de Soja: 89.500 ha
Área colhida de milho: 7.500 ha
O principal motor da cidade é o agronegócio, com suas principais empresas ligadas ao agro, como: John Deere, C-Vale, CCGL, Bunge, Simbiose, Produza, Três Tentos, Sementes Aurora entre outras. Cruz Alta já é um polo rodoferroviário fundamental para o estado e, com as perspectivas da Ferrovia Norte Sul, esse potencial só irá aumentar. Nesse sentido, a concretização do acesso pavimentado a Benjamin Nott, estendendo até o aeroporto, maximizaria as questões logísticas da cidade e região.



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